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Público reencontra país que canta e é feliz com os Novos Baianos

Público reencontra país que canta e é feliz com os Novos Baianos

Apagam-se as luzes. Na tela, cenas de 1973 de uma rapaziada fazendo música, jogando bola. Cai o pano e a história se materializa no palco do CentroSul: Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, Baby do Brasil, Luiz Galvão e Pepeu Gomes acenam em cima de uma Caravan pintada à moda hippie. Novos Baianos, pisca o letreiro que contorna o carro. Os cinco descem, assumem seus lugares e, por duas horas, (e)levam a plateia a uma dimensão tão colorida quanto o cenário do show do grupo neste sábado, em Florianópolis.

A trupe que vivia ouvindo João – assim como John – desembarcou na Capital reunida pela turnê Acabou Chorare. Só por tocar o disco homônimo inteiro, já foi inesquecível. Presença incontestável em qualquer lista de melhores de todos os tempos, o vinil lançado em 1972 é recheado de clássicos tombados pelo patrimônio nacional. Mesmo canções menores se agigantam ao vivo, como Swing de Campo Grande, alimentada pela guitarra ensandecida de Pepeu na sequência da instrumental Um Bilhete para Didi.

Cada integrante demonstrava um superpoder. Baby com seus malabarismos vocais em Tinindo Trincando, a simpatia de Paulinho em Preta Pretinha, o violão de Moraes adoçando a faixa-título. Volta e meia, Galvão, 79 anos, levantava-se do local em que ficava sentado ao lado da bateria e declamava poesias. Não tinha como não se comover. Mas a passagem dos Novos Baianos pela cidade não deixou marcas apenas na imagem e no som, conforme assegura a letra de Anos 70, que abriu e fechou o setlist.

Foto: Caroline Borges / Agencia RBS

Não se assuste, pessoa, se ouvir dizer que o show também deu um rolê pela música brasileira da (e de) boa. Lá pelas tantas, Moraes contou que os Novos Baianos têm dois pilares. Um é Tom Zé. O outro, João Gilberto, surgiu nos acordes inconfundíveis de Chega de Saudade. A ideia de um Brasil gentil e promissor se espalhou ainda por Samba da Minha Terra (Dorival Caymmi), Na Cadência do Samba (Ataulfo Alves), Isto Aqui o Que É (Ary Barroso) e Brasil Pandeiro (Assis Valente). Em cinco lições, um projeto de nação perdido no inconsciente coletivo.

Todas promoveram o reencontro do público com este país que canta e é feliz, onde quem não gosta de samba bom sujeito não é. Em vez da intolerância, da patifaria e do cinismo baixo-astral vigentes, na zona autônoma temporária idealizada pelos Novos Baianos coube até a evangélica Baby louvando o Altíssimo – e, se alguém pensava em julgá-la por isso, recebeu Besta É Tu como resposta. A hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor chegou no final do show, com os gritos de Fora Temer encerrando uma noite tão especial.

SETLIST
Anos 70
Infinito Circular
Dê um Rolê
A Menina Dança
Preta Pretinha
Colégio de Aplicação
Samba da Minha Terra
Tinindo trincando
Um Bilhete para Didi
Swing de Campo Grande
Na Cadência do Samba (Batucada de Bamba)
Chega de Saudade
Farol da Barra
Isto Aqui o que É (Sandália de Prata)
Acabou Chorare
Sugestão Geral
Mistério do Planeta
Brasileirinho
Besta É Tu
Brasil Pandeiro
[BIS]
Na Cadência do Samba (Batucada de Bamba)
Anos 7

Foto: Caroline Borges / Agencia RBS
Fonte: DC

radiofloripa

abril 16th, 2017

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